Roda do Teles

O Arco do Teles

O Arco do Teles, no detalhe da gravura de Debret, 1830.

O Largo do Paço e seus arredores abrigavam negociantes de “grosso trato”, que fizeram fortunas com o comércio transatlântico, importando mercadorias europeias e africanos escravizados, e exportando produtos coloniais. Um deles, Antônio Teles Barreto de Menezes, construiu um conjunto de casas em frente ao Paço Imperial e as alugava para comerciantes. Para permitir acesso ao mercado de peixe logo atrás, fez abrir uma passagem coberta por um grande arco de cantaria, típico das construções portuguesas setecentistas. O espaço debaixo do arco, protegido da chuva, virou refúgio dos negros Angolas e Benguelas, que ali tocavam seu arco musical, o Urucungo (também grafado Oricongo). Ali, como descreve o cronista Mello Moraes Filho: [Os] “velhos trovadores de Benguela e de Angola, maltrapilhos, nus da cintura para cima, encostavam ao ventre enrugado e negro as cuias de suas marimbas, e o casco de coco de seus urucungos em arco, ao som de cujas toadas nativas deliciavam seus conterrâneos…”.

A Capoeira

A capoeira também esteve presente no Largo do Paço, hoje Praça XV, onde, ao redor do Cais Pharoux, se aglutinava a malta da Marinha. Essa malta se aliou aos Três Cachos, na Santa Rita, para se proteger da proximidade da malta dos Carpinteiros, baseada na Igreja de São José. E assim a praça configurou-se no limite entre a federação Guaiamu e a dos Nagôas, sendo palco de confrontos violentos, com paus e navalhas. A capoeira ali foi duramente reprimida quando a Praça Dom Pedro II virou a Praça XV de Novembro, para celebrar o dia da proclamação da República, em 1889. Mesmo assim, a praça continuou a dar dor de cabeça para as autoridades, que consideravam, ainda em 1903, que o Cais Pharoux e a Praça XV “eram logradouros infectos de toda a sorte de vagabundos” (citado em Colchete, Praça XV, p. 56).

Hoje ainda tem capoeira no Arco do Teles. É uma roda aberta, onde camaradas se encontram e novas amizades se fazem. Tudo seguido pelo samba de roda de praxe. A Roda do Arco do Teles acontece a cada segundo sábado do mês, a partir das 14 horas, organizada pelo Contramestre Fábio Chapéu de Couro e Alessandra Morioka (a “Japa”).

Essa roda é o ponto de partida do clip em 360 graus que você pode assistir aqui:

https://vimeo.com/340490970

A Praça XV é um exemplo, e apenas um, de como se enlaça a história da capoeira com a rica história da cidade do Rio de Janeiro.

Para saber mais:

Vivaldo Coaracy, Memórias da Cidade do Rio de Janeiro. Belo Horizonte e São Paulo: Itatiaia e EdUSP, 1988.

Antonio Colchete Filho, Praça XV. Projetos do espaço público. Rio de Janeiro: Sete Letras, 2008.

 

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